INTRODUÇÃO

Cada vez mais, com a economia globalizada, em todos os ramos da atividade humana, o indivíduo com a intenção de produzir algo deve levar em consideração o momento da venda. Só produzir não basta, é preciso vender. Vender para quem? Com que preço? A que distância? Quem é o concorrente? Na época da venda, como estará a relação demanda versus oferta?



Para o agro-negócio, estas perguntas somam-se às particularidades de cada cultura, mas seu peso na equação final de lucro tem aspecto determinante. E, como se não bastasse, ganhos de produção e qualidade nem sempre correspondem a retornos maiores.

Portanto, como a escolha do quê produzir normalmente acaba por prender o agricultor por longo período e ensina-lhe de forma implacável que a lei da ação-reação existe, faz-se necessário, antes de plantar, primeiro pesquisar o mercado. É preciso achar aquilo que vai vender e que possa ser  produzido com eficiência.

Neste raciocínio, o gigantismo brasileiro e nossas condições climáticas deixam claro certas vantagens de nossas terras, mas também nos alertam que expandir de forma desenfreada a área de certas culturas pode gerar uma oferta acima da demanda.

Dentre as vocações de nossa agricultura temos a silvicultura. Aqui certas espécies crescem em menor tempo se comparadas com outros países e reunimos condições políticas, culturais e econômicas propícias. O déficit mundial de madeira é estrondoso e em termos nacionais também é alarmante. Há necessidade de árvores para celulose, papel, móveis, construção civil, geração de energia e muito mais. A demanda é crescente e a oferta decrescente, finita, cada vez mais de longe e de reposição demorada.

Infelizmente a silvicultura é freqüentemente colocada de lado pelos produtores. A existência de matas nativas sendo exploradas, a falta de capital para investimentos com prazos mais longos de retorno ou mesmo o desconhecimento de técnicas apropriadas que dêem segurança para se aventurar em uma cultura diferente são aspectos que contribuem para este fato. Contudo, este quadro está mudando.

Plantar árvores recupera o solo, ameniza o clima e reduz o efeito estufa. Planta-se o desenvolvimento sustentável possibilitando, além da produção, preservar. Em terras já degradadas incorpora-se valor, pois da terra fraca, após um tempo, extrai-se madeira. Gera-se empregos no campo e nas industrias agregadas. Além desta inclusão social, temos o caráter de previdência privada que tal plantio representa. Poupança para o futuro, que minimiza o risco de qualquer carteira de investimentos, sem abalar a rentabilidade.


As florestas plantadas no Brasil são proporcionalmente ínfimas se comparadas ao potencial e, em sua maioria, apenas de Eucaliptos e Pinus. Estes têm seus ciclos já largamente estudados, tanto de produção quanto de utilização, e seu comércio já é bem difundido. Uma opção pouco explorada é a produção de madeira dita nobre. O maior entrave, neste caso, é o tempo necessário para que estas plantas atinjam as condições de corte. Dentre estas árvores podemos citar o Guanandi (Calophyllum brasiliense) e a Teca (Tectona grandis). Sua produção sustentável alivia o avanço sobre as matas da Amazônia.

Paradoxalmente, plantar madeira nobre é justamente um bom negócio por causa deste imperativo natural a que o produtor se sujeita. O manejo das florestas nativas não supre a demanda e a natureza não faz concessões no prazo de reposição.

Investir em uma floresta plantada de Guanandi é responder de forma lucrativa à todas as perguntas formuladas no início desta introdução, além de participar da conservação da natureza. Plantar árvores está dentre os melhores negócios do momento.